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Amsterdan

Décimo dia (13.05.09, quarta-feira)

No segundo dia em Amsterdan, acordamos cedo e fomos direto à Casa da Anne Frank:

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Ouvi falar em longas filas, mas não sei se por estarmos em maio ou pelo horário ainda cedo, não as encontramos e fizemos um passeio bem tranquilo, sem ninguém nos incomodando.
A casa hoje é um museu, que traz relatos de pessoas que conviveram com Anne antes e durante a guerra, no esconderijo e mesmo nos campos de concentração de Auschwitz e Bergen-Belsen. Especialmente comoventes são os relatos de Miep Gies, que levava comida, livros e informações do mundo a Anne e ao grupo que com ela se escondia no "anexo secreto" e de Otto Frank, pai de Anne e único sobrevivente do grupo, que escondeu o diário, o fez publicar depois da guerra e esteve à frente da criação do museu/fundação.
Chama a atenção o frio que se sente na casa (e invariavelmente invade o coração de quem visita o lugar) e o ranger do chão, capaz de apavorar qualquer visitante que se imagine naquele lugar à época da guerra, tentando evitar que os vizinhos de baixo o descubram e denunciem.
Um detalhe: invadida a casa pelos nazistas, tudo que ali estava foi roubado. Depois da guerra, muito se recuperou. Mas por escolha do próprio Otto, o quarto de Anne permanece vazio, num simbolismo que, como tudo naquele lugar, nos faz refletir.
Ao final da visita, cafezinho no próprio museu...

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... e voltinha pelas redondezas, pra ver a Westerkerk...

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... a igreja pertinho da casa da Anne, que ouvia os seus sinos durante o tempo passado no "anexo secreto". Aqui estão os restos mortais do Rembrandt. E bem do lado da igreja fica a estátua da menina:

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De lá, almoço na região do Grachtengordel:

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Entre restaurantes gregos, italianos e até um brasileiro, decidimos seguir a sugestão do Guia Publifolha e experimentar a comida indonésia. Explica-se: a Indonésia foi colônia da Holanda e a culinária é tida como um dos maiores legados dos colonizados. A experiência foi válida, mas não das melhores. O cardápio estava em indonésio, com tradução para o holandês (?!?) e os garçons, indonésios, falavam inglês quase por mímica. Muita pimenta, frutos do mar (que até hoje em não sei bem quais eram), curry, frango... tudojuntoemisturado.

Por falar na língua, olha só que molezinha:

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Devidamente abastecidos, seguimos para o Bloemenmarkt, o mercado flutuante de flores...

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... que, além das tulipas, vende outras lembrancinhas típicas:

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Fechamos o dia no Museu Van Gogh...

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... bem bacana. Além de Van Gogh ser uma figura onipresente na cidade, o museu é relativamente pequeno e quase que inteiramente dedicado ao pintor. Impossível não aprender um pouco da sua história e da sua arte.
Por fim, voltando ao hotel, não pudemos deixar de passar pelo "Red Light District", ou Bairro da Luz Vermelha. É lá que se encontra a Amsterdan das mulheres semi-nuas nas vitrines. Quem nunca esteve lá talvez se assuste com o relato, mas, acreditem, vale como um passeio quase antropológico. São ruas e mais ruas pelas quais se espalham as prostitutas (na Holanda, uma profissão regulamentada e devidamente autorizada), de todos os tipos, cores, tamanhos e idades. Mas não existe uma oferta agressiva. Elas não vão te incomodar se você não quiser ser incomodado. Ficam nas portas das casas ou nas vitrines, contornadas de neon. Não se pode fotografar. Quem quiser, bate nas tais vitrines, negocia o que há de ser negociado e, se for o caso, entra ali mesmo, abaixa a cortina e resolve o que há de ser resolvido. No meio disso tudo, passeiam turistas também de todos os tipos e nacionalidades. Lembro-me ainda de um casal de velhinhos que, de mãos dadas, observava tudo como se estivesse num grande museu a céu aberto.
Essa é Amsterdan. Cada um na sua e ninguém se incomoda. Em termos religiosos, políticos ou sexuais: cada um sabe de si e faz suas escolhas.

Publicado por wbelisario 11:58 Arquivado em Holanda Tagged amsterdan

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